Parte IV

 

Minha pequena, minha florzinha... como foi lindo sermos abençoados por sua presença em nossas vidas, mesmo por pouco tempo nos fez tão mais humanos, nos ensinou tantas coisas que nesses vinte e sete anos ainda não havia aprendido.

Me fez entender que o amor é tão infinito que por mais que você ame sempre pode amar mais. Sei que me deu toda força e conforto que precisei nas horas que te vi partir, deixei a ir, sei que é especial demais pra viver em nosso mundo tão egoísta, tão cheio de maldades, invejas, preconceitos, raivas, rancor, tristezas, sofrimentos, violências, mizerias enfim sei que onde esta é tudo muito lindo e perfeito, cheio de paz e harmonia, estando ao lado de anjinhos como você e ao lado do Papai do céu aquele que sempre estava com a gente lembra?

E quantas vezes repeti as frases apertando suas mãozinhas te dizendo a mamãe ta aqui, vai ficar tudo bem, força minha pequena.

Então meu amor se pudesse fazer tudo de novo eu faria, se pudesse passar sua doença pra mim passaria, se tivesse que passar o resto da minha vida lutando por você certamente eu lutaria, mas senti e sei que fui até aonde devia ir até o dia que senti que sofria demais e que queria muito descansar.

Não sei ainda qual foi sua real missão aqui na terra, mas sei que veio pra me tornar uma pessoa muito melhor, pra me fazer rever tudo que já vivi e sei que com tudo que me ensinou que serei uma pessoa mais feliz, que saberei viver melhor e dar mais importância a pequeninos instantes e a tudo que tenho.

E a todos que tiveram o prazer de conhecer nossa história, sei que mostrou que adoção é muito mais do que imaginavam e tenho certeza que todos que viram nossa luta e mesmo em seu velório sentiram nossa dor e o quanto nosso amor é infinito por você.

Olhe por nós querida, faça que eu seja forte pra continuar a viver com a dor de sua perda, devolva meu chão, me mostre o caminho, me conforte, mas só não me empece de sentir saudades.

 

Sarah no andador..."o que será que to fazendo aqui!!!"

 

Sarah 11 meses

 

Sarah com 10 meses

 

Papai , mamãe e a Sarah no Ano Novo

 

Sarah e sua irmãzinha Anny

 

Papai Mamãe e a Sarah

 

Tomando mamadeira sozinha...

 

Hum... que carinha mais linda!!!

 

Sarah com a irmãzinha Anny e a vovó corujona rsrs

 

 

Nunca te esquecerei, guardo comigo a expressão de seus olhos, seu sorriso!!!

Bebezinha mais linda do mundo!!!

Te amuuuuuuuuuuuuuuu

 

OBS: Infelizmente minha falta de tempo fez com que deixasse de relatar aqui vários outros momentos, mas resumidamente contei como tudo aconteceu nesta nossa tragetória da Adoção em busca de um filho do coração e um pouquinho dos meus sentimentos que são grandes demais para poder ser escritos.

E sem querer ser injusta deixo aqui nossos agradecimentos à todos que nos apoiaram e estiveram com a gente em todos esses momentos, sei que cada um de vocês sabem a quem agradeçemos e o que fizeram.

 

Parte III

Nossa última internação foi na quarta dia 15 de fevereiro, um dia depois da sua alta de cinco dias de internação, mesmo vendo que não estava muito bem, me mantive calma e logo pela manhã mesmo antes de levá-la ao médico, levei-a para benzer, naquela hora senti algo estranho, comecei a deixar um pouquinho de lado minha esperança e em seu lugar coloquei o medo. Cheguei em casa ela almoçou e eu a levei ao hospital, no caminho me deu um estalo e pisei no acelerador de tal forma que gastei menos de 3 minutos para chegar até ele (tempo normal mais ou menos 10 minutos), se demorase mais um segundo que fosse...

Desci as escadarias passei pelas portas e pessoas sem ver nada em minha frente, deitei-a na sala de emergência e imediatamente chegaram um monte de médicos e enfermeiros a sala ficou cheia e que correria, ela estava tão mole, com a respiração tão cansada, não se manifestava com barulhos e nem ao menos com o número de picadas que levou, foram alguns minutos que pareciam horas para conseguirem um acesso, fiquei ali segurando sua mão, firme como uma rocha, não deixei cair uma lágrima que fosse e pedi a Deus para guiar as mãos de todos aqueles que estavam presentes, pedi que fosse forte e senti que ainda não era a hora.

Subimos ao quarto, sempre na presença de médicos e enfermeiros ao monte, menos seu médico o único especialista do País para este tipo de doença, meus olhos procuravam por ele, até que vi pelo vidro ao lado de fora do quarto sua expressão de preocupação e de perda, ficava de um lado e do outro como uma barata tonta, mas o que não tinha mesmo era coragem de entrar. Que exemplo e que humanismo de um médico, que sempre são tão duros, tão diretos.

Passamos neste quarto a tarde e o dia seguinte, estava muito sonolenta e mal se movia, o médico veio então falar comigo que a doença tinha disseminado muito rápido e que a Quimioterapia não esta combatendo que era difícil, mas nada mais estava ao seu alcance além de suprir o que estava lhe faltando, chegou bem pertinho dela encostou sua cabeça na dela e ficou ali por alguns minutos e beijou-a com tanto carinho como se estvivesse se despedindo.

Sua medula óssea estava muito afetada e destruindo assim suas plaquetas, então tomava sangue e plaquetas uma bolsa atrás da outra e mesmo assim seus exames resultavam que não havia plaquetas.

Passei a noite de quarta entendendo que não havia mais nada que a Medicina pudesse fazer, então passei a assim a pedir para que Deus fizesse um milagre na vida dela, pedi muito com tanta força, com tanta fé e com tanta esperança...

Na manhã de quinta já parecia não mais me ouvir, mas me sentia abrindo muito lentamente seus olhos que transmitiam estar serena apesar da sua respiração, evacuou sangue por duas fezes e sua boca sangrava um pouco sem escorrer pela boca, via seu sangue lá dentro apenas, mesmo falando com as enfermeiras sentia muita tranqüilidade em todas elas como se nada tivesse acontecendo, em momento algum fiquei nervosa e nem me desesperei, fui sentindo-a partir com a mesma tranqüilidade que estava indo, foram difíceis conter as lágrimas quando chamaram os médicos, vi que não respirava e a médica com muita calma disse que seus batimentos estavam fracos, ficamos ali por alguns instantes ouvindo seu coraçãozinho que ficou intacto e tão forte contra a doença, demorou e ele resistiu muito antes de parar por completo.

Foi tudo muito calmo e sereno, não houve correrias e nem desespero, só houve lágrimas de todos que estavam ali, não houve reanimação nada, foi mesmo uma luz que chegou e a levou para não mais sofrer.

Continuei como sempre ao seu lado e segurando sua mão, começou a vir na minha cabeça os porque e abracei-a muito repetindo o primeiro gesto de carinho que tive com ela, passando o polegar entre suas sobrancelhas por inúmeras vezes.

Que amor avassalador, que dor meu Deus!!!

Passamos a noite no velório, e quantas perguntas fazemos a nos mesmos, senti sua presença o tempo todo ali me confortando e me pedindo pra ser forte e entender, e como sempre sentei ao seu lado e tentava sentir a serenidade de seu rostinho. Cheguei a vê-la em um lugar cheio de flores esvoaçantes, sentada num gramado ao lado sorrindo muito ao tentar pegar as flores que iam ao vento, cheguei a parar de chorar e sorri.

Que criança guerreira... que criança forte meu Deus, que passou seus 11meses e 28 dias de vida lutando.

Sinto por ter passado tão pouco tempo com a gente, por não ter visto cada etapa da sua vidinha, mas entendo que tinha que ter sido assim, pois não via mais seu sorriso e a vi sofrer, se eu pudesse ter curado-a com meu amor e colocado em uma redoma de vidro  eu o faria só pra não vê-la sofrer.

Enterramos seu corpo as 10:30hrs.e sentia no caminho aquela brisa de paz e de conformidade, vimos-a sorrindo pra gente.

 

Parte II

Conheci a Sarah no dia quatro de dezembro de 2005 internada em um Hospital aqui de Campinas, vindo de Minas e parar aqui juntinho da gente, me apaixonei desde o instante que soube dela e quando a vi tive a certeza de que era minha.

Assumimos sua guarda no dia 15 de dezembro e desde dia até o dia de ontem foram muitas idas e vindas ao hospital, exames e mais exames, quimioterapias, internações, altas e mais internações, noites sem dormir, sentimentos de medo, angustias, esperança, fé.

Foram muitas vitórias e recaídas, mas a esperança e a fé pela cura foram intensas e nosso amor por ela imenso e incondicional.

Que doença triste e maldita que de cada 200.000.000 crianças apenas uma tem, que ironia do destino logo ela minha pequena, que ironia do destino meu Deus ser a segunda criança de todo nosso País a ter especificamente este tipo da doença. Cansei de me perguntar o porque, ser ela, tão pequena, tão indefesa, tão carente com uma história de vida tão sofrida. As respostas ainda eu não tenho, sei que um dia eu saberei ...

Renunciei muita coisa, virei minha vida certinha de pernas por ar, confesso que esqueci que tinha casa, marido e outra filha, esqueci até mesmo de mim. Passei cada segundo desses meses ao seu lado, amei amei demais, muito mais do que eu mesma imaginava que poderia, e que intenso... incondicional.

Continuação acima

          

Reflexão quanto a Adoção/ Meu amor e minha dor

 

Os caminhos para chegar até ela são muitos e é difícil saber qual é o certo. Há milhares de comarcas espalhadas por todo o nosso País, mas só o seu coração poderá guiá-la para o caminho certo.

 

Há muitas crianças abandonadas e grávidas dispostas a darem seus filhos, mas só a sua fé poderá mostrar o ventre certo que carregará seu filho ou o olhar de quem já esta te esperando.

 

Buscar o filho do coração não é tão simples assim como fazer um bolo, no qual existe uma receita única para todos. Cada um tem sua receita própria que precisa de um toque especial de sua determinação, persistência e principalmente fé na existência do filho verdadeiro. È preciso acreditar que saberá chegar até ele.

 

Nossa vontade de termos um filho do coração era muito antiga há uns 13 anos atrás quando começamos ainda a namorar tínhamos este objetivo em comum, nosso amadurecimento para a idéia e nossa busca foi através de um sorriso de uma criança, não a nossa uma criança feliz com pai e mãe, um instrumento de Deus que nos mostrou que era a hora certa de realizarmos nosso sonho e corrermos em busca dele.

 

Assim como já escrevi aqui mesmo, as etapas são muitas e junto a ela a burocracia, passamos por elas sempre na minha imensa ansiedade e pressentimento de que seria breve. Mas a verdade é que só hoje sei que toda minha ansiedade era uma angustia que sentia dentro de mim, já havia um anjinho me chamando por isso me sentia tão obcecada para encontrar logo uma criança.

 

Como já temos a Anny pensei em um menino, que fosse mais novo do que ela e não um bebezinho recém nascido, pensamos que fosse moreno, mesmo porque a dificuldade por ter crianças brancas para adoção são mínimas.

 

Mas eu me apaixonei mesmo por uma criança que só sabia de onde era, seu nome, sua idade e que tinha problemas de saúde. Quando soube que estava a espera de um casal senti que seria a gente e já comecei a amá-la sem saber nada mais que isso, sem ao menos ter visto sua carinha.

 

Nossa espera foi de cinco meses desde o dia que reunimos as papeladas, do dia que soube dela demorou apenas três dias para conhecê-la pessoalmente e seu processo foi de apenas algumas horas para conseguirmos sair com as papeladas de sua guarda.

 

Continuação acima

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